sábado, 12 de junho de 2010

Do nada

Do gosto fez-se o desgosto
Da alegria fez-se a tristeza
Da emoção fez-se o pranto
Da admiração fez-se a repulsa

Do medo fez-se a vontade
Da raiva fez-se a liberdade
Do caminho fez-se o perigo
Do burguês fez-se o mendigo

Da casa fez-se o mundo
Do mundo fez-se a praça
Da retórica fez-se o silêncio
Da saúde fez-se a desgraça

Da vontade fez-se a saudade
Do desejo fez-se a impossibilidade
Da vida fez-se o destino
Do homem fez-se o menino

Do sentimento fez-se o arrependimento
Do nada fez-se o firmamento
Da dor fez-se o perdão
Da pedra fez-se o coração